Debate da Globo: Lula e Flávio Bolsonaro duelam no 2º turno
Último encontro na TV antes da votação de domingo reuniu embates sobre cartão corporativo, acusações de favorecimento e promessas de campanha.

Em 1 minuto
- Candidatos à Presidência realizaram na TV Globo o último confronto televisivo antes do segundo turno.
- Troca de farpas envolveu dados do cartão corporativo e reportagens sobre supostas tentativas de aproximação com o governo.
- Nas considerações finais, Lula resgatou sua origem pessoal e Flávio Bolsonaro prometeu foco no poder de compra e na segurança.
A menos de 48 horas da abertura dos colégios eleitorais em todo o país, a disputa pela Presidência da República teve seu desfecho televisivo nesta sexta-feira, 23 de outubro de 2026. Em transmissão ao vivo gerada dos estúdios no Rio de Janeiro, a Rede Globo reuniu o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Este foi o segundo embate direto entre os dois postulantes no segundo turno, sucedendo o primeiro encontro ocorrido na Band no domingo anterior, que também se caracterizou pela forte troca de ataques.
Com mediação do jornalista César Tralli, o programa começou logo após a edição do Jornal Nacional e ofereceu aos eleitores a oportunidade derradeira de contrastar estilos de gestão, respostas a polêmicas e orientações programáticas para os próximos quatro anos. A transmissão foi veiculada simultaneamente na TV aberta, na GloboNews, no portal g1 e no Globoplay, com acompanhamento de checagem de dados em tempo real promovido pela equipe de jornalismo da própria emissora.
Formato do programa e dinâmica entre os concorrentes
A estrutura do debate foi organizada em quatro blocos centrais, além de um tempo exclusivo ao fim da transmissão para as considerações de cada político. Nas três primeiras partes da noite, o modelo exigiu a abordagem de assuntos regionais associados a prioridades de âmbito nacional, cabendo aos participantes formular perguntas, réplicas, respostas e tréplicas em rodadas de três minutos.
Enquanto um candidato falava nos blocos iniciais, era permitida a circulação pelo estúdio, cabendo ao adversário permanecer posicionado em seu respectivo púlpito. Já a quarta parte adotou a fórmula de banco de tempo livre, entregando a cada debatedor oito minutos para administrar réplicas e intervenções sem temas prévios determinados pela produção.
| Bloco | Formato de tempo | Regra de movimentação |
|---|---|---|
| 1º Bloco | 6 rodadas de 3 minutos por fala | Candidato que fala circula; oponente fica no púlpito |
| 2º Bloco | Rodadas temáticas de 3 minutos | Escolha de temas sorteados; movimentação permitida ao orador |
| 3º Bloco | Rodadas temáticas de 3 minutos | Escolha de temas sorteados; movimentação permitida ao orador |
| 4º Bloco | 8 minutos livres para cada | Tema livre; circulação demarcada em áreas laterais |
| Encerramento | 1 minuto e meio por candidato | Fala direta à câmera para apelo final de voto |
Embate sobre despesas e cartão corporativo
Um dos pontos que gerou embate direto envolveu os gastos da Presidência da República por meio de cartões corporativos. Flávio Bolsonaro questionou a gestão de despesas da atual administração, o que motivou Lula a convocar o público a fazer pesquisas imediatas sobre o histórico dos mandatos anteriores.
Na ocasião, o presidente argumentou que a administração de Jair Bolsonaro teria desembolsado quase 30% a mais na comparação com os valores correntes. Informações oficiais extraídas do Portal da Transparência mostram, no entanto, que os valores corrigidos pela inflação do governo Jair Bolsonaro (2019-2022) atingiram R$ 32,6 milhões em despesas de cartão. No atual mandato de Lula, de janeiro de 2023 até agosto de 2026, os registros no mesmo portal apontam desembolsos de R$ 84,54 milhões, dos quais aproximadamente 98% estão protegidos por sigilo presidencial.
Citações a apurações jornalísticas no bloco de tema livre
Durante o quarto bloco, o confronto ganhou tom incisivo quando Flávio Bolsonaro utilizou reportagens de capa da revista VEJA para interrogar o adversário a respeito de supostas articulações com Daniel Vorcaro, proprietário do banco Master.
O senador indagou Lula sobre apuração jornalística que aponta o envio de um uísque avaliado em R$ 500 mil ao presidente, sustentando que mensagens de um interlocutor indicavam agradecimentos ao agrado. Flávio associou o custo da bebida ao valor pago a beneficiários de programas sociais e cobrou eventuais contrapartidas. Durante a resposta, Lula negou categoricamente ter recebido o produto e rebateu afirmando que o envio deveria ter tido como destino o endereço de seu oponente.
O debate também abordou áudios mencionados pela revista em que Vorcaro relata repasses em dinheiro com a finalidade de viabilizar uma produção audiovisual biográfica sobre o presidente, por meio do Instituto Lula, em troca de facilitação de acessos a fundos de previdência de servidores federais. Flávio citou nomes apontados na reportagem, como Paulo Okamotto, João Vaccari Neto e o atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em referências a encontros investigados pela Polícia Federal.
Considerações finais e mensagens ao eleitor
No minuto e meio final concedido a cada um, os candidatos buscaram sintetizar suas linhas de apelo para o comparecimento às urnas:
- Flávio Bolsonaro: iniciou expressando agradecimento religioso, classificou os processos judiciais que atingiram seu pai como injustiças e pediu uma oportunidade de voto. Assumiu o compromisso público de trabalhar pelo retorno do poder de compra dos cidadãos e pelo combate à criminalidade, perguntando ao público se as condições de dívida e segurança melhoraram ou pioraram nos últimos anos, encerrando com um pedido de oração.
- Luiz Inácio Lula da Silva: abriu o pronunciamento desculpando-se com os telespectadores pelo clima tenso presenciado ao longo da exibição. Relembrou sua trajetória desde a infância pobre em Pernambuco e o trabalho como torneiro mecânico, sugerindo que o eleitor pondere as biografias dos concorrentes. Finalizou sustentando que a votação decidirá a permanência do regime democrático e acusou a oposição de ter ligações com grupos paramilitares urbanos.
Próximos passos
Com o término do debate da TV Globo e o encerramento da veiculação de propaganda eleitoral obrigatória em rádio e televisão, a campanha atinge seu momento decisivo. As regras da Justiça Eleitoral impõem restrições à propaganda a partir deste sábado, mantendo-se a proibição de novos confrontos televisivos.
Os dois concorrentes definiram a realização de entrevistas coletivas de dez minutos com a imprensa presente nos estúdios, com ordem de falas iniciada por Lula e seguida por Flávio Bolsonaro, conforme sorteio prévio. No domingo, 25 de outubro, as urnas eletrônicas estarão abertas em todo o território nacional das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, com apuração totalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral imediatamente após o encerramento da votação.
Perguntas rápidas
Quando ocorre a votação do segundo turno?
A votação que define a Presidência da República está marcada para este domingo, 25 de outubro de 2026.
Qual foi o formato adotado no debate da TV Globo?
O programa teve quatro blocos conduzidos pelo jornalista César Tralli, sendo três com temas sorteados e um com tema livre de oito minutos para cada participante.
Quais temas dominaram o bloco de tempo livre?
O quarto bloco foi marcado por questionamentos baseados em reportagens da revista VEJA sobre o banco Master e discussões a respeito de despesas com cartões corporativos.
De onde tiramos isso
- Correio Braziliense — Veja como foram as considerações finais de Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Globo
- Terra — Veja como foi o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro na Globo
- VEJA — As três matérias de VEJA mencionadas no debate entre Lula e Flávio na Globo
- Correio Braziliense — Debate na Globo: veja as regras do confronto entre Flávio Bolsonaro e Lula
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