O mosquito da dengue está ganhando o mundo. E o verão brasileiro vem aí
Com o planeta mais quente, o Aedes chega a lugares onde nunca existiu. Aqui, as chuvas de outubro dão a largada para a temporada. O que fazer agora, antes do pico.

Em 1 minuto
- Os mosquitos que transmitem a dengue estão se espalhando por regiões onde antes não sobreviviam, impulsionados pelo calor.
- No Brasil, a combinação de chuva e calor que começa agora é a largada para a temporada de casos.
- Dez minutos por semana eliminando água parada em casa ainda é a defesa mais eficiente.
Durante muito tempo, dengue foi “coisa de país tropical”. Esse mapa está mudando. Segundo reportagem do Globo, os mosquitos que transmitem a doença estão avançando pelo planeta e levando junto o aumento de casos. O motor principal dessa expansão é conhecido: o calor.
Para quem mora no Brasil, a notícia tem um lado bem prático. Outubro é quando a chuva volta em boa parte do país. E chuva mais calor é a receita exata que o mosquito espera o ano inteiro.
Por que o calor ajuda o mosquito
O Aedes aegypti, principal transmissor da dengue, e seu primo Aedes albopictus são insetos de clima quente. Com temperaturas mais altas:
- o mosquito se desenvolve mais rápido, do ovo ao adulto, então surgem mais gerações por temporada;
- o vírus se multiplica mais rápido dentro dele, encurtando o tempo até o mosquito conseguir transmitir a doença;
- invernos mais amenos deixam de matar as populações, e o inseto passa a sobreviver em regiões mais ao sul, mais altas e, em outros continentes, mais ao norte.
É por isso que países da Europa já registram casos de dengue transmitidos localmente, algo impensável algumas décadas atrás. E que, no Brasil, cidades que mal conheciam a doença passaram a ter epidemias.
A temporada brasileira começa agora
O pico de casos no Brasil costuma acontecer entre o fim do verão e o outono. Mas a corrida começa bem antes. Os ovos do Aedes são resistentes: grudados na parede de um vaso ou de um pneu, podem sobreviver secos por muitos meses. Quando a chuva enche o recipiente, eles eclodem.
Ou seja: os mosquitos de fevereiro estão, neste momento, em forma de ovo, esperando a próxima chuva no quintal de alguém.
Tá, e o que eu faço?
A recomendação mais antiga continua sendo a mais eficiente: 10 minutos por semana caçando água parada.
- Vasos de planta: tire o pratinho ou encha com areia até a borda.
- Caixa d’água, tonéis e baldes: sempre tampados.
- Calhas e lajes: limpas, sem folhas acumulando água.
- Garrafas, pneus e entulho: guardados de boca para baixo, cobertos ou descartados.
- Ralos e bandejas da geladeira e do ar-condicionado: lave e seque.
- Bebedouro dos bichos: troque a água e esfregue as bordas, onde ficam os ovos.
Esfregar importa: só trocar a água não remove os ovos grudados na parede do recipiente.
Quando procurar atendimento
Febre alta de início repentino, dor no corpo, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas pedem avaliação. Os sinais de alarme exigem atendimento imediato: dor forte na barriga, vômitos persistentes, sangramento na gengiva ou no nariz, tontura e muito cansaço, principalmente quando a febre começa a baixar. Não tome remédio por conta própria. Anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico podem aumentar o risco de sangramento na dengue.
Sobre vacinas, a disponibilidade no SUS muda conforme a faixa etária e a região. O posto de saúde informa quem pode tomar onde você mora.
Uma guerra que se ganha no quintal
O avanço do mosquito pelo mundo é um problema grande, ligado ao clima, que nenhuma pessoa resolve sozinha. Mas a dengue da sua rua começa num lugar muito pequeno: um pratinho de planta, uma tampinha de garrafa, uma calha entupida.
Esse pedaço, a gente controla. Separe dez minutos neste fim de semana.
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