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Saúde

O mosquito da dengue está ganhando o mundo. E o verão brasileiro vem aí

Com o planeta mais quente, o Aedes chega a lugares onde nunca existiu. Aqui, as chuvas de outubro dão a largada para a temporada. O que fazer agora, antes do pico.

Por Redação Zunido · · 3 min de leitura

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue
Foto: Centers for Disease Control and Prevention / rawpixel · CC0 1.0

Em 1 minuto

  • Os mosquitos que transmitem a dengue estão se espalhando por regiões onde antes não sobreviviam, impulsionados pelo calor.
  • No Brasil, a combinação de chuva e calor que começa agora é a largada para a temporada de casos.
  • Dez minutos por semana eliminando água parada em casa ainda é a defesa mais eficiente.

Conteúdo informativo. Não substitui consulta com profissional de saúde.

Durante muito tempo, dengue foi “coisa de país tropical”. Esse mapa está mudando. Segundo reportagem do Globo, os mosquitos que transmitem a doença estão avançando pelo planeta e levando junto o aumento de casos. O motor principal dessa expansão é conhecido: o calor.

Para quem mora no Brasil, a notícia tem um lado bem prático. Outubro é quando a chuva volta em boa parte do país. E chuva mais calor é a receita exata que o mosquito espera o ano inteiro.

Por que o calor ajuda o mosquito

O Aedes aegypti, principal transmissor da dengue, e seu primo Aedes albopictus são insetos de clima quente. Com temperaturas mais altas:

  • o mosquito se desenvolve mais rápido, do ovo ao adulto, então surgem mais gerações por temporada;
  • o vírus se multiplica mais rápido dentro dele, encurtando o tempo até o mosquito conseguir transmitir a doença;
  • invernos mais amenos deixam de matar as populações, e o inseto passa a sobreviver em regiões mais ao sul, mais altas e, em outros continentes, mais ao norte.

É por isso que países da Europa já registram casos de dengue transmitidos localmente, algo impensável algumas décadas atrás. E que, no Brasil, cidades que mal conheciam a doença passaram a ter epidemias.

A temporada brasileira começa agora

O pico de casos no Brasil costuma acontecer entre o fim do verão e o outono. Mas a corrida começa bem antes. Os ovos do Aedes são resistentes: grudados na parede de um vaso ou de um pneu, podem sobreviver secos por muitos meses. Quando a chuva enche o recipiente, eles eclodem.

Ou seja: os mosquitos de fevereiro estão, neste momento, em forma de ovo, esperando a próxima chuva no quintal de alguém.

Tá, e o que eu faço?

A recomendação mais antiga continua sendo a mais eficiente: 10 minutos por semana caçando água parada.

  • Vasos de planta: tire o pratinho ou encha com areia até a borda.
  • Caixa d’água, tonéis e baldes: sempre tampados.
  • Calhas e lajes: limpas, sem folhas acumulando água.
  • Garrafas, pneus e entulho: guardados de boca para baixo, cobertos ou descartados.
  • Ralos e bandejas da geladeira e do ar-condicionado: lave e seque.
  • Bebedouro dos bichos: troque a água e esfregue as bordas, onde ficam os ovos.

Esfregar importa: só trocar a água não remove os ovos grudados na parede do recipiente.

Quando procurar atendimento

Febre alta de início repentino, dor no corpo, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas pedem avaliação. Os sinais de alarme exigem atendimento imediato: dor forte na barriga, vômitos persistentes, sangramento na gengiva ou no nariz, tontura e muito cansaço, principalmente quando a febre começa a baixar. Não tome remédio por conta própria. Anti-inflamatórios e ácido acetilsalicílico podem aumentar o risco de sangramento na dengue.

Sobre vacinas, a disponibilidade no SUS muda conforme a faixa etária e a região. O posto de saúde informa quem pode tomar onde você mora.

Uma guerra que se ganha no quintal

O avanço do mosquito pelo mundo é um problema grande, ligado ao clima, que nenhuma pessoa resolve sozinha. Mas a dengue da sua rua começa num lugar muito pequeno: um pratinho de planta, uma tampinha de garrafa, uma calha entupida.

Esse pedaço, a gente controla. Separe dez minutos neste fim de semana.

De onde tiramos isso

Texto original do Zunido, escrito a partir das fontes acima. Viu um erro? Avise a gente — corrigimos e registramos a correção.

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