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Política

Debate da Globo: veja as propostas de Lula e Flávio antes da votação

Último confronto na TV expôs divergências sobre salário mínimo, segurança pública e saneamento; eleitores votam no domingo (25).

Por Redação Zunido · · 6 min de leitura

Urna eletrônica de votação e cabine eleitoral em primeiro plano
Foto: Phyo WP / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

Em 1 minuto

  • Candidatos confrontaram visões para salário mínimo, programas sociais e combate ao crime organizado no último debate televisivo antes do segundo turno.
  • Lula concentrou o discurso na defesa da renda e dos serviços públicos, enquanto Flávio Bolsonaro enfatizou medidas de endurecimento penal e redução de burocracia.
  • Votação ocorre neste domingo, 25 de outubro; eleitor deve levar documento oficial com foto e ficar atento às regras da cabine de votação.

Cobertura informativa e apartidária. O Zunido não apoia candidatos.

O último debate entre os candidatos à Presidência da República, transmitido pela TV Globo na noite de sexta-feira (23), colocou frente a frente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) a dois dias da ida do eleitorado às urnas. O encontro marcou o encerramento da propaganda televisiva e explicitou dois caminhos distintos para o país a partir de 2027, combinando defesas programáticas para áreas essenciais com trocas diretas de acusações sobre trajetórias políticas.

Para quem acompanhou o programa buscando subsídios para decidir a escolha deste domingo, 25 de outubro, a discussão expôs prioridades antagônicas. A campanha governista concentrou esforços em ressaltar indicadores sociais, ampliação da renda e histórico de programas públicos, enquanto a candidatura de oposição procurou falar de planos de governo, atacar entraves burocráticos do Estado e apontar atrasos na infraestrutura nacional.

Economia, renda e infraestrutura em confronto

A discussão econômica no estúdio girou em torno de medidas práticas de curto e médio prazo. Lula focou sua exposição no fortalecimento do poder de compra das camadas de menor renda, defendendo a continuidade dos ganhos reais do salário mínimo, o combate à fome, a presença de estudantes de baixa renda nas universidades públicas e a necessidade de reajustes para aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Flávio Bolsonaro, por sua vez, buscou apresentar mais diretrizes de gestão futura e criticar a burocracia do aparelho federal. O senador sustentou que o governo atual não entregou as melhorias que prometeu no consumo dos lares e afirmou que o caminho para o desenvolvimento depende de destravar investimentos em infraestrutura e retirar amarras regulatórias do setor produtivo.

O saneamento básico também ocupou espaço de destaque na primeira parte do encontro. O senador escolheu o tema para cobrar o governo federal sobre o atendimento de água tratada e rede de esgoto para os moradores da Região Norte, perguntando os motivos de eventuais atrasos nas obras para a população vulnerável. O presidente rebateu afirmando que a gestão manteve investimentos estruturantes na região amazônica e acusou o grupo adversário de desconhecer as necessidades locais.

No campo dos programas sociais, o futuro do Bolsa Família e a transferência de renda permaneceram em pauta ao longo do confronto. Ambas as candidaturas apresentaram visões divergentes sobre a gestão dos benefícios, disputando o impacto social dessas políticas junto às famílias de baixa renda.

Segurança pública e política externa

A área de segurança pública, apontada em pesquisas de opinião como uma das principais preocupações da sociedade brasileira, gerou um dos contrastes mais nítidos entre os dois planos de governo. Lula sustentou que o combate ao crime organizado deve ser construído por meio de uma integração federativa mais coordenada entre a União, os estados e as administrações municipais. Já Flávio Bolsonaro centrou suas falas na cobrança de medidas punitivas mais duras e na defesa de endurecimento penal contra a criminalidade.

As relações externas também dividiram os candidatos no estúdio. Flávio defendeu maior alinhamento com os Estados Unidos e a aproximação com o governo de Donald Trump. Lula, por sua vez, questionou os impactos de tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros e manifestou preocupação com propostas ligadas à exploração de minerais estratégicos e terras raras no território nacional.

Área temática Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Flávio Bolsonaro (PL)
Renda e Previdência Valorização contínua do salário mínimo e reajustes nas aposentadorias Crítica a promessas econômicas não cumpridas e corte de burocracia
Segurança Pública Fortalecimento da integração entre governos federal, estaduais e municipais Endurecimento penal, aumento de penas e ações policiais mais rigorosas
Saneamento e Obras Defesa dos investimentos executados no Norte e em regiões vulneráveis Cobrança por agilidade em obras de esgoto e questionamento a entraves estatais
Relações Internacionais Cautela sobre concessão de terras raras e críticas a tarifas comerciais Alinhamento com os Estados Unidos e foco em política externa comercial aberta
Histórico Legislativo Justificativa do voto da bancada na Constituinte para proteger trabalhadores Cobrança sobre posição petista em 1988 e reconhecimento de voto em licença maternidade

Momentos de tensão e acusações mútuas

Além das propostas, o debate teve momentos de atrito durante os blocos com tempo livre de fala. Flávio criticou o presidente por orientar o eleitor a procurar informações sobre obras federais na internet, perguntando se quem governa o país seria o mandatário ou o buscador virtual. O senador também questionou Lula sobre o voto da bancada petista na fase final da Assembleia Constituinte de 1988; o petista respondeu lembrando que a bancada defendia um texto com maior proteção aos trabalhadores e que assinou formalmente a Carta Magna na promulgação.

Por outro lado, o candidato do PL precisou pedir desculpas ao vivo durante o confronto após ironizar a perda de um dedo do presidente, ocorrida em acidente de trabalho fabril na década de 1960. No mesmo bloco, Flávio também admitiu que cometeu um equívoco no passado ao votar de forma contrária à extensão da licença maternidade no Congresso Nacional.

Lula utilizou intervenções para citar episódios jurídicos e acontecimentos da gestão da crise sanitária, além de levantar o caso Ana Clara, menina assassinada no Rio de Janeiro cujo autor foi defendido por Flávio em âmbito judicial. As trocas de ataques incluíram ainda menções a presentes, patrimônio e modelos econômicos externos, como a situação da Argentina.

O que ainda não se sabe

Com a conclusão do período de debates televisivos, permanecem questões em aberto que influenciam o desfecho da corrida eleitoral:

  1. A repercussão das declarações: O peso dos momentos de atrito, pedidos de desculpas e menções ao histórico dos candidatos na decisão do eleitor indeciso só poderá ser dimensionado na apuração.
  2. A viabilização orçamentária: Ambas as candidaturas apresentaram metas para serviços básicos e segurança, mas o desenho técnico de custeio dependerá da negociação orçamentária com o Congresso Nacional eleito.
  3. O índice de comparecimento: Em uma eleição com pesquisas indicando vantagem para a oposição e forte polarização, o percentual de abstenção nas urnas é variável decisiva para o resultado final.

Regras e orientações para o domingo de votação

Para votar com segurança e evitar contratempos neste domingo, 25 de outubro, o eleitor deve observar as normas eleitorais vigentes:

  1. Documentação aceita: Leve um documento oficial de identificação com foto (como RG, carteira de motorista ou passaporte). O aplicativo e-Título é válido para identificação apenas para quem já possui a biometria cadastrada com foto visível no sistema.
  2. Horário e local: As seções abrem em todo o território nacional seguindo o horário de Brasília. É recomendável consultar a zona e a seção com antecedência no aplicativo ou no portal da Justiça Eleitoral.
  3. Aparelhos eletrônicos: Não é permitido ingressar na cabine de votação portando aparelhos celulares, câmeras ou outros equipamentos de gravação. O aparelho deve ficar sob guarda dos mesários na mesa receptora.
  4. Lembrete de voto: É permitida a utilização de anotação em papel (“colinha”) com o número do candidato escolhido para agilizar a digitação na urna eletrônica.

A apuração tem início logo após o encerramento do horário regulamentar de votação, com atualização contínua dos dados disponibilizados publicamente pela Justiça Eleitoral.

Perguntas rápidas

Quando e onde acontece a votação do segundo turno?

A eleição para o segundo turno presidencial ocorre neste domingo, 25 de outubro de 2026, em todo o país, na seção indicada no título de eleitor ou no aplicativo e-Título.

Quais temas centrais foram debatidos pelos candidatos?

Os concorrentes trataram de saneamento básico, reajuste do salário mínimo, programas sociais, combate à violência, relações comerciais externas e posicionamentos históricos em votações legislativas.

Quais são as diferenças nas propostas para a segurança pública?

De acordo com as reportagens sobre o debate, Lula defende uma estratégia baseada na maior articulação e integração entre as esferas governamentais, enquanto Flávio Bolsonaro propõe o endurecimento penal e penas mais rigorosas.

De onde tiramos isso

Nível de apuração: alto — o fato central foi confirmado por mais de um veículo.

Texto original do Zunido, escrito a partir das fontes acima. Viu um erro? Avise a gente — corrigimos e registramos a correção.

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