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Política

Deputados dos EUA cobram governo Trump por visto e viagem de Flávio

Grupo de 25 parlamentares democratas enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio para apurar eventual uso de recursos públicos na saída do senador.

Por Redação ZunidoUp · · 5 min de leitura

Fachada e a cúpula do Capitólio dos Estados Unidos em Washington com céu parcialmente nublado
Foto: roberto_bellasio / Pixabay · Licença Pixabay

Em 1 minuto

  • Vinte e cinco deputados democratas dos EUA enviaram carta cobrando explicações do secretário de Estado Marco Rubio.
  • Os parlamentares querem saber se recursos ou diplomatas americanos ajudaram na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
  • O senador viajou aos EUA após o STF proibir sua saída do país e determinar a apreensão dos seus passaportes.

Cobertura informativa e apartidária. O ZunidoUp não apoia candidatos.

A movimentação política que começou nas urnas brasileiras ganhou os corredores do Congresso norte-americano. Um grupo de 25 deputados do Partido Democrata nos Estados Unidos enviou uma carta oficial ao secretário de Estado do país, Marco Rubio. O objetivo da mensagem é direto: entender se o governo de Donald Trump usou dinheiro, pessoal ou influência diplomática para ajudar o senador Flávio Bolsonaro a sair do Brasil e entrar em solo americano.

A cobrança ocorre logo depois de revelações da imprensa internacional de que integrantes da equipe de Trump teriam participado da logística de deslocamento do parlamentar brasileiro. A viagem aconteceu em meio a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibia o senador de deixar o país e determinava a retenção dos seus passaportes.

Para os congressistas americanos, o caso levanta dúvidas sobre a integridade dos processos de imigração dos Estados Unidos e o respeito às decisões judiciais de países parceiros. Afinal, a fiscalização busca esclarecer como um político sob investigação no próprio país consegue uma autorização rápida de entrada em território americano.

O que os congressistas americanos querem saber

A carta enviada a Marco Rubio foi organizada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, que integram o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA, segundo o Poder360 e a Veja. O documento exige respostas formais da diplomacia americana sobre o nível de envolvimento de órgãos federais na operação.

Entre as perguntas apresentadas, os parlamentares questionam se a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília ou o Departamento de Estado tinham conhecimento das investigações criminais contra Flávio Bolsonaro antes de emitir a autorização de viagem. A Justiça brasileira apura suspeitas de irregularidades financeiras e lavagem de dinheiro envolvendo o senador e assessores.

Os deputados pedem detalhes específicos sobre quem aprovou a permissão especial de entrada, conhecida como “humanitarian parole” (acolhida humanitária), e se os diplomatas sabiam da ordem emitida pelo STF. Outro ponto central da cobrança é saber se diplomatas, funcionários da Casa Branca ou agentes do Departamento de Segurança Interna conversaram com assessores ou familiares de Flávio para organizar o voo.

Como apontam os relatos publicados pelo portal Politico e pelo jornal The New York Times, a intenção dos parlamentares é exercer o papel de fiscalização que cabe ao Poder Legislativo sobre as ações do Poder Executivo norte-americano.

Como foi a operação de saída do Brasil

Para compreender a dimensão da cobrança em Washington, é preciso olhar para a sequência de acontecimentos que antecederam a chegada de Flávio Bolsonaro à Flórida.

A apuração de veículos de imprensa indica que a viagem envolveu articulações em mais de um país. Logo após a confirmação do resultado das eleições presidenciais no Brasil, a Polícia Federal pediu ao STF a retenção dos passaportes do senador. A decisão judicial acolheu o pedido e proibiu qualquer viagem ao exterior.

No entanto, o parlamentar não entregou os documentos à Justiça. Segundo reportagens do The New York Times e da Veja, ele seguiu de carro até a fronteira da Argentina, cruzando por Puerto Iguazú com apoio de autoridades migratórias argentinas. De lá, embarcou em um jatinho particular providenciado por Jason Miller, conselheiro e estrategista político de Donald Trump. O voo fez uma escala técnica no Equador antes de pousar em Miami.

Para garantir o desembarque em solo americano, a gestão de Donald Trump concedeu ao senador e à sua família uma permissão especial de entrada. O jornal The New York Times apontou que Flávio utilizou seu passaporte diplomático para ingressar no país, mesmo após o cancelamento do documento pelas autoridades brasileiras.

Linha do tempo dos acontecimentos

Abaixo, você confere a cronologia dos fatos com base nas informações apuradas pelas reportagens:

  1. 25 de outubro de 2026 (21h09): O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolida a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva com 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos) contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (59.826.041 votos). Sete minutos depois, a Polícia Federal solicita a apreensão do passaporte do senador.
  2. 26 de outubro de 2026: O ministro Alexandre de Moraes, do STF, atende ao pedido da PF, proíbe o senador de deixar o Brasil e determina a entrega dos seus documentos.
  3. 27 de outubro de 2026: Flávio Bolsonaro deixa o território nacional pela fronteira com a Argentina e embarca rumo aos Estados Unidos em um voo privado.
  4. 28 de outubro de 2026: O presidente dos EUA, Donald Trump, declara publicamente que autorizaria a entrada do senador, mas afirma que não planeja se envolver na política brasileira.
  5. 29 de outubro de 2026: O jornal The New York Times revela a participação do assessor Jason Miller na organização do voo e na obtenção da autorização de entrada para a família Bolsonaro.
  6. 30 de outubro de 2026: O grupo de 25 deputados democratas envia a carta cobrando explicações formais do secretário de Estado Marco Rubio.

As repercussões e a postura da Casa Branca

O caso criou um ambiente de atenção diplomática entre Brasília e Washington. A reação de Donald Trump ao longo dos dias oscilou entre declarações públicas e posicionamentos de bastidores, conforme relatado pelo g1 e pelo Correio Braziliense.

Em declarações, o presidente americano chegou a classificar o pleito brasileiro como “estranho” e “uma vergonha”, sem apresentar provas de irregularidades nas urnas. O próprio Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, reconheceu o resultado oficial proclamado pelo TSE.

Apesar das declarações em tom crítico, assessores próximos a Trump afirmaram à agência de notícias Reuters que a Casa Branca não pretende tratar Flávio Bolsonaro como um líder de governo em exílio. Em sinal diplomático recente, Trump declarou que pretenderia conversar diretamente com o presidente eleito do Brasil.

O que ainda não se sabe

Embora a carta dos congressistas norte-americanos estabeleça questionamentos claros, vários pontos sobre o episódio seguem pendentes:

  • Resposta do Departamento de Estado: Até o momento, a equipe do secretário Marco Rubio não divulgou uma resposta oficial aos 25 deputados nem detalhou se vai abrir uma apuração interna sobre a conduta dos órgãos envolvidos.
  • Custos do voo: Não há confirmação oficial sobre se houve utilização de verbas públicas dos Estados Unidos no financiamento do transporte ou se o voo privado foi custeado integralmente por entes privados.
  • Status do visto e cooperação: A Justiça brasileira decretou o cancelamento oficial dos passaportes de Flávio Bolsonaro, mas ainda não há definição sobre pedidos formais de cooperação jurídica entre os dois países.

Perguntas rápidas

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Nível de apuração: alto — o fato central foi confirmado por mais de um veículo.

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