Deputados dos EUA cobram governo Trump por visto e viagem de Flávio
Grupo de 25 parlamentares democratas enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio para apurar eventual uso de recursos públicos na saída do senador.

Em 1 minuto
- Vinte e cinco deputados democratas dos EUA enviaram carta cobrando explicações do secretário de Estado Marco Rubio.
- Os parlamentares querem saber se recursos ou diplomatas americanos ajudaram na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.
- O senador viajou aos EUA após o STF proibir sua saída do país e determinar a apreensão dos seus passaportes.
A movimentação política que começou nas urnas brasileiras ganhou os corredores do Congresso norte-americano. Um grupo de 25 deputados do Partido Democrata nos Estados Unidos enviou uma carta oficial ao secretário de Estado do país, Marco Rubio. O objetivo da mensagem é direto: entender se o governo de Donald Trump usou dinheiro, pessoal ou influência diplomática para ajudar o senador Flávio Bolsonaro a sair do Brasil e entrar em solo americano.
A cobrança ocorre logo depois de revelações da imprensa internacional de que integrantes da equipe de Trump teriam participado da logística de deslocamento do parlamentar brasileiro. A viagem aconteceu em meio a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proibia o senador de deixar o país e determinava a retenção dos seus passaportes.
Para os congressistas americanos, o caso levanta dúvidas sobre a integridade dos processos de imigração dos Estados Unidos e o respeito às decisões judiciais de países parceiros. Afinal, a fiscalização busca esclarecer como um político sob investigação no próprio país consegue uma autorização rápida de entrada em território americano.
O que os congressistas americanos querem saber
A carta enviada a Marco Rubio foi organizada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, que integram o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA, segundo o Poder360 e a Veja. O documento exige respostas formais da diplomacia americana sobre o nível de envolvimento de órgãos federais na operação.
Entre as perguntas apresentadas, os parlamentares questionam se a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília ou o Departamento de Estado tinham conhecimento das investigações criminais contra Flávio Bolsonaro antes de emitir a autorização de viagem. A Justiça brasileira apura suspeitas de irregularidades financeiras e lavagem de dinheiro envolvendo o senador e assessores.
Os deputados pedem detalhes específicos sobre quem aprovou a permissão especial de entrada, conhecida como “humanitarian parole” (acolhida humanitária), e se os diplomatas sabiam da ordem emitida pelo STF. Outro ponto central da cobrança é saber se diplomatas, funcionários da Casa Branca ou agentes do Departamento de Segurança Interna conversaram com assessores ou familiares de Flávio para organizar o voo.
Como apontam os relatos publicados pelo portal Politico e pelo jornal The New York Times, a intenção dos parlamentares é exercer o papel de fiscalização que cabe ao Poder Legislativo sobre as ações do Poder Executivo norte-americano.
Como foi a operação de saída do Brasil
Para compreender a dimensão da cobrança em Washington, é preciso olhar para a sequência de acontecimentos que antecederam a chegada de Flávio Bolsonaro à Flórida.
A apuração de veículos de imprensa indica que a viagem envolveu articulações em mais de um país. Logo após a confirmação do resultado das eleições presidenciais no Brasil, a Polícia Federal pediu ao STF a retenção dos passaportes do senador. A decisão judicial acolheu o pedido e proibiu qualquer viagem ao exterior.
No entanto, o parlamentar não entregou os documentos à Justiça. Segundo reportagens do The New York Times e da Veja, ele seguiu de carro até a fronteira da Argentina, cruzando por Puerto Iguazú com apoio de autoridades migratórias argentinas. De lá, embarcou em um jatinho particular providenciado por Jason Miller, conselheiro e estrategista político de Donald Trump. O voo fez uma escala técnica no Equador antes de pousar em Miami.
Para garantir o desembarque em solo americano, a gestão de Donald Trump concedeu ao senador e à sua família uma permissão especial de entrada. O jornal The New York Times apontou que Flávio utilizou seu passaporte diplomático para ingressar no país, mesmo após o cancelamento do documento pelas autoridades brasileiras.
Linha do tempo dos acontecimentos
Abaixo, você confere a cronologia dos fatos com base nas informações apuradas pelas reportagens:
- 25 de outubro de 2026 (21h09): O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolida a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva com 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos) contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (59.826.041 votos). Sete minutos depois, a Polícia Federal solicita a apreensão do passaporte do senador.
- 26 de outubro de 2026: O ministro Alexandre de Moraes, do STF, atende ao pedido da PF, proíbe o senador de deixar o Brasil e determina a entrega dos seus documentos.
- 27 de outubro de 2026: Flávio Bolsonaro deixa o território nacional pela fronteira com a Argentina e embarca rumo aos Estados Unidos em um voo privado.
- 28 de outubro de 2026: O presidente dos EUA, Donald Trump, declara publicamente que autorizaria a entrada do senador, mas afirma que não planeja se envolver na política brasileira.
- 29 de outubro de 2026: O jornal The New York Times revela a participação do assessor Jason Miller na organização do voo e na obtenção da autorização de entrada para a família Bolsonaro.
- 30 de outubro de 2026: O grupo de 25 deputados democratas envia a carta cobrando explicações formais do secretário de Estado Marco Rubio.
As repercussões e a postura da Casa Branca
O caso criou um ambiente de atenção diplomática entre Brasília e Washington. A reação de Donald Trump ao longo dos dias oscilou entre declarações públicas e posicionamentos de bastidores, conforme relatado pelo g1 e pelo Correio Braziliense.
Em declarações, o presidente americano chegou a classificar o pleito brasileiro como “estranho” e “uma vergonha”, sem apresentar provas de irregularidades nas urnas. O próprio Partido Liberal (PL), legenda de Flávio Bolsonaro, reconheceu o resultado oficial proclamado pelo TSE.
Apesar das declarações em tom crítico, assessores próximos a Trump afirmaram à agência de notícias Reuters que a Casa Branca não pretende tratar Flávio Bolsonaro como um líder de governo em exílio. Em sinal diplomático recente, Trump declarou que pretenderia conversar diretamente com o presidente eleito do Brasil.
O que ainda não se sabe
Embora a carta dos congressistas norte-americanos estabeleça questionamentos claros, vários pontos sobre o episódio seguem pendentes:
- Resposta do Departamento de Estado: Até o momento, a equipe do secretário Marco Rubio não divulgou uma resposta oficial aos 25 deputados nem detalhou se vai abrir uma apuração interna sobre a conduta dos órgãos envolvidos.
- Custos do voo: Não há confirmação oficial sobre se houve utilização de verbas públicas dos Estados Unidos no financiamento do transporte ou se o voo privado foi custeado integralmente por entes privados.
- Status do visto e cooperação: A Justiça brasileira decretou o cancelamento oficial dos passaportes de Flávio Bolsonaro, mas ainda não há definição sobre pedidos formais de cooperação jurídica entre os dois países.
Perguntas rápidas
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De onde tiramos isso
- Poder360 — Democratas questionam papel de Trump em fuga de Flávio do Brasil
- VEJA — Deputados dos EUA exigem respostas sobre papel de Trump na fuga de Flávio Bolsonaro
- Correio Braziliense — Parlamentares dos EUA cobram explicações a Rubio por ajuda a Flávio Bolsonaro
- g1 — Relembre tudo o que Trump falou sobre a fuga de Flávio Bolsonaro e sobre a eleição no Brasil
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