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Ciência

Estrela verde é descoberta pela primeira vez: entenda o fenômeno

Astrônomos identificam anã branca com brilho esverdeado a 280 anos-luz da Terra após o astro absorver restos de planetas.

Por Redação Zunido · · 3 min de leitura

Ilustração geométrica no espaço com uma esfera esverdeada brilhando em meio a fragmentos rochosos
Ilustração: Zunido

Em 1 minuto

  • Pesquisadores da Universidade de Warwick identificaram a primeira estrela com brilho verde-amarelado no espaço.
  • O astro é uma anã branca batizada de WD J1330+6435, situada a cerca de 280 anos-luz da Terra, na constelação de Draco.
  • A cor incomum foi gerada pela absorção de detritos planetários ricos em sódio, que filtraram os comprimentos de onda vermelhos e laranjas.

Pela primeira vez, astrônomos registraram uma estrela com brilho esverdeado no espaço. Trata-se da anã branca WD J1330+6435, localizada na constelação de Draco, a cerca de 280 anos-luz da Terra. A descoberta foi divulgada em outubro de 2026 por pesquisadores da Universidade de Warwick, na Inglaterra, em estudo publicado no periódico científico RAS Techniques and Instruments. O tom verde-amarelado, até então inédito em observações astronômicas, surgiu depois que a estrela engoliu destroços de planetas rochosos que orbitavam ao seu redor.

A distância de 280 anos-luz equivale a mais de 2,6 quatrilhões de quilômetros, considerando que cada ano-luz representa aproximadamente 9,5 trilhões de quilômetros percorridos pela luz. O achado soluciona uma discussão antiga sobre como os olhos humanos enxergam a luz emitida pelos corpos celestes.

Por que a física considerava estrelas verdes uma ilusão de ótica?

Em condições típicas, a cor de uma estrela reflete diretamente sua temperatura superficial. Corpos celestes mais frios projetam tons alaranjados ou avermelhados. Os mais quentes reluzem em azul-claro. Já as estrelas de temperatura intermediária, como o Sol, emitem luz distribuída por todo o espectro visível aos seres humanos.

Quando um astro atinge sua emissão máxima no comprimento de onda correspondente ao verde, ele também libera porções expressivas de luz vermelha e azul. A visão humana combina todas essas faixas e enxerga uma coloração branca uniforme. Por esse motivo, os manuais de astrofísica tratavam a existência de uma estrela verde no céu como algo restrito à ficção científica.

A transformação da anã branca após absorver planetas

A anã branca WD J1330+6435 conseguiu quebrar esse padrão óptico porque deixou de ser uma estrela comum. Anãs brancas são núcleos remanescentes de estrelas de massa baixa ou média que esgotaram seu combustível nuclear e expeliram as camadas externas de gás. Nesses corpos, cerca de metade da massa do Sol fica comprimida em um espaço similar ao tamanho da Terra.

De acordo com o astrofísico Mark Hollands, principal autor da pesquisa, o diferencial da WD J1330+6435 foi a queda contínua de detritos planetários sobre sua superfície. Esse processo contaminou as camadas superficiais da estrela com concentrações elevadas de elementos como cálcio, lítio e, principalmente, sódio.

O efeito do sódio sob densidade extrema

Em astros comuns ou em lâmpadas públicas antigas, o sódio absorve apenas uma faixa muito estreita de radiação na frequência alaranjada. Na atmosfera extremamente comprimida de uma anã branca, porém, a dinâmica muda por completo.

Os átomos de hélio circundantes bombardeiam o sódio de maneira constante, alterando a estrutura energética do elemento químico. Como resultado prático, o sódio passa a absorver uma faixa muito mais ampla do espectro visível: consome comprimentos de onda amarelos, laranjas e frações significativas dos vermelhos.

O astrofísico Boris Gänsicke comparou a mecânica a uma paleta de tintas. A luz natural das estrelas funciona como a combinação equilibrada das cores básicas. Ao remover as tintas de tons quentes dessa composição, a faixa restante que escapa para o espaço e chega aos instrumentos de medição é justamente a luz verde-limão.

O que a descoberta muda para a astronomia

No mesmo levantamento, a equipe britânica examinou outras 151 anãs brancas localizadas em um raio de até 65 anos-luz da Terra. Embora a grande maioria mantenha o tom branco habitual, cinco astros apresentaram variações incomuns com nuances amarelas e rosadas.

O brilho verde documentado na WD J1330+6435 funciona na prática como uma leitura química de sistemas planetários mortos. Ao analisar o espectro de luz alterado, os astrônomos ganham um método direto para catalogar a constituição geológica de mundos rochosos destruídos ao longo da evolução estelar.

Perguntas rápidas

Por que estrelas verdes eram consideradas impossíveis pela física?

Em estrelas comuns, a cor percebida depende da temperatura. Quando uma estrela atinge o pico de radiação na faixa verde, ela emite simultaneamente luz vermelha e azul em volumes tão equilibrados que os olhos humanos processam a soma como cor branca.

O que fez a anã branca WD J1330+6435 exibir tom verde?

O astro engoliu restos de planetas rochosos ricos em sódio. Na densidade extrema da anã branca, os átomos de hélio colidem contra o sódio e ampliam a absorção de luz, bloqueando tons amarelos, laranjas e parte dos vermelhos, sobrando o verde-amarelado.

É possível enxergar a estrela verde a olho nu?

Não. Ela fica a cerca de 280 anos-luz da Terra e tem volume comparável ao do nosso planeta, sendo detectável apenas por meio de telescópios e equipamentos profissionais.

De onde tiramos isso

Nível de apuração: alto — o fato central foi confirmado por mais de um veículo.

Texto original do Zunido, escrito a partir das fontes acima. Viu um erro? Avise a gente — corrigimos e registramos a correção.

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