Flávio Bolsonaro chega a Miami após deixar o Brasil
Senador viajou de jatinho via Argentina e Equador após decisão de Alexandre de Moraes. Entenda a rota, as investigações e o impacto político.
Em 1 minuto
- Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami nesta quarta-feira acompanhado da família após deixar o Brasil via Argentina.
- A viagem descumpre ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que havia proibido o senador de sair do país.
- O governo dos EUA concedeu vistos para o parlamentar, que promete dar entrevista coletiva nesta quinta-feira na Flórida.
O senador Flávio Bolsonaro desembarcou na manhã desta quarta-feira, 28 de outubro, no aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, nos Estados Unidos. O deslocamento do parlamentar ocorreu três dias após o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil, disputado no domingo, 25 de outubro, em que ele foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.
A viagem para a Flórida foi realizada ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal, Carolina e Luiza. O percurso ocorreu em desacordo direto com uma ordem judicial expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes havia determinado a proibição de saída do país para o senador, além da entrega obrigatória de seus passaportes.
A manobra para deixar o continente sul-americano envolveu a travessia terrestre de fronteiras na noite anterior, a contratação de um jatinho privado na Argentina e um plano de voo desenhado para evitar o espaço aéreo brasileiro até o pouso nos Estados Unidos.
A rota de viagem: do Paraná até a Flórida
A sequência de movimentações da família começou na noite de terça-feira, 27 de outubro. Por volta das 22h50, o senador e seus familiares atravessaram a Ponte Internacional Tancredo Neves, estrutura que conecta a cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná, ao município de Puerto Iguazú, na Argentina.
Após a revelação do plano pelo portal argentino Infobae, a Direção Nacional de Migrações da Argentina publicou uma nota oficial confirmando que o grupo ingressou no país vizinho apresentando documentação de viagem válida e sem alertas ou bloqueios judiciais ativos no sistema migratório local naquele horário.
Ainda na noite de terça-feira, por volta das 23h30, a família embarcou no aeroporto de Puerto Iguazú em um jato executivo modelo Gulfstream G400, com prefixo LV-JQW, de propriedade da empresa argentina de táxi aéreo Baires Fly S.A.
Para evitar cruzar o espaço aéreo do Brasil, a aeronave seguiu um trajeto internacional que passou pelos territórios do Paraguai, da Bolívia e do Peru, segundo informações de rastreamento de voos divulgadas pelo InfoMoney e pela VEJA. O jato realizou uma parada técnica de aproximadamente trinta minutos na cidade de Guayaquil, no Equador, apenas para reabastecimento de combustível, decolando em seguida com destino direto à Flórida.
O pouso no aeroporto Opa-locka aconteceu às 10h26 no horário de Brasília. Imagens transmitidas por veículos de imprensa internacional mostraram o parlamentar desembarcando da aeronave na pista acompanhado da esposa e transportando bagagens de mão.
Linha do tempo dos acontecimentos
- Domingo, 25 de outubro: Lula vence a eleição presidencial no segundo turno. Flávio Bolsonaro obtém 48,21% dos votos.
- Segunda-feira, 26 de outubro: O ministro Alexandre de Moraes ordena que a Polícia Federal intime Flávio Bolsonaro para entregar seus passaportes até as 11h de terça-feira. O senador posta vídeo afirmando que entregaria os documentos e defenderia sua inocência no Brasil.
- Terça-feira, 27 de outubro (22h50): Flávio e familiares cruzam a fronteira terrestre em Foz do Iguaçu e entram na Argentina por Puerto Iguazú.
- Terça-feira, 27 de outubro (23h30): O grupo embarca em jatinho privado operado pela Baires Fly com destino inicial ao Equador.
- Quarta-feira, 28 de outubro (madrugada): O jato realiza parada técnica em Guayaquil para reabastecimento e segue para o norte.
- Quarta-feira, 28 de outubro (10h26 BRT): A aeronave aterrissa no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami.
As investigações no STF e a decisão judicial descumprida
A ordem de retenção de passaportes e a proibição de viagem foram expedidas no âmbito de um inquérito conduzido no STF pelo ministro Alexandre de Moraes. A apuração investiga esquemas de lavagem de dinheiro e suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A investigação envolve também o advogado Willer Tomaz, amigo próximo de Flávio, que já havia deixado o Brasil com destino aos Estados Unidos em agosto. Conforme reportado pelo Correio Braziliense, o senador também responde a questionamentos judiciais sobre o financiamento do filme Dark Horse.
Na segunda-feira, após a intimação da Polícia Federal, o senador havia afirmado publicamente que jamais pensou em sair do país e que entregaria os passaportes para rebater o que classificou como uma tentativa de intimidação. No entanto, o prazo das 11h de terça-feira venceu sem que a entrega ocorresse, o que motivou o cancelamento formal dos documentos pelas autoridades brasileiras.
A própria empresa responsável pelo voo privado virou centro de debates diplomáticos. A Baires Fly S.A. é investigada pela Justiça argentina por suspeitas de lavagem de dinheiro em contratos públicos com a Agência Nacional de Discapacidade (Andis), conforme detalhado pela Exame. Deputados argentinos chegaram a questionar publicamente a passagem do senador pelo território do país vizinho.
Reação internacional e apoio do governo americano
Ao desembarcar em solo americano, a família de Flávio Bolsonaro já contava com autorização prévia das autoridades dos Estados Unidos. O Departamento de Estado americano confirmou que emitiria os vistos de entrada necessários para o senador e seus dependentes.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou em entrevista que não se opunha à ida do parlamentar brasileiro para a Flórida. Na segunda-feira, Trump já havia feito declarações questionando o resultado das urnas no Brasil, mencionando supostas irregularidades sem apresentar provas.
Aliados de Flávio informaram que ele pretende conceder uma coletiva de imprensa na cidade de Miami nesta quinta-feira, 29 de outubro, para apresentar sua versão sobre o deslocamento.
O que ainda não se sabe
- O ministro Alexandre de Moraes ainda não divulgou se decretará novas medidas cautelares pelo descumprimento da ordem de entrega dos passaportes e pela saída do país.
- Não há confirmação se a Procuradoria-Geral da República ou o STF solicitarão formalmente a cooperação da Justiça americana.
- O governo americano não detalhou sob qual modalidade ou categoria de visto o senador e seus familiares permanecerão no país.
Próximos passos
A evolução do caso depende das decisões que serão tomadas pelo Supremo Tribunal Federal e dos pronunciamentos prometidos pela defesa do parlamentar nos Estados Unidos.
Perguntas rápidas
Como Flávio Bolsonaro viajou para os Estados Unidos?
O senador cruzou a fronteira terrestre para Puerto Iguazú, na Argentina, e embarcou em um jatinho particular rumo a Miami, fazendo escala de reabastecimento no Equador.
Por que o senador estava proibido de deixar o Brasil?
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado a retenção de seus passaportes no âmbito de um inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e fraudes no INSS.
O que o governo americano declarou sobre a entrada do senador?
O Departamento de Estado dos EUA confirmou a concessão de vistos para Flávio e sua família, e o presidente Donald Trump afirmou publicamente não se opor à viagem.
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